Mostrando postagens com marcador provocações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador provocações. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de agosto de 2010

UFC 117 - comentários

Bom. Se você chegou aqui no blog então não preciso dizer muito sobre o UFC 117. Não preciso dizer que foi hoje, sábado, e nem que a luta principal foi do Anderson Silva contra o aspirante a político Chael Sonnen.

Vou falar rapidamente sobre o que achei das lutas em geral, mas meu foco é a luta do Anderson.

Roy Nelson x Cigano [4 estrelas]: Que queixo é esse? Roy Nelson é indestrutível!! Tomou cada uma do Cigano e não foi nocauteado, apesar de balançar bastante (principalmente na linha da cintura...). Cigano lutou muito bem, mas acho que não tem chances contra o gigante Brock Lesnar - especialmente após a vitória sobre Shane Carwin.

Matt Hughes x Cachorrão [4,5 estrelas]: Matt Hughes é, na minha opinião, um monstro sagrado - como se dizia sobre os Gracies, há muito tempo atrás... Cachorrão queria vingar o Renzo, usar jiu-jitsu? Pois tomou um belo estrangulamento de um jeito que até o presidente do UFC, Dana White, achou estranho (http://twitter.com/danawhite/status/20597553329)

(não que o Dana White seja uma grande autoridade no MMA)

Guida x Rafael dos Anjos [3 estrelas]: Acho que o Rafael dos Anjos tem grande potencial. A luta anterior dele, no UFC 112, mostrou que ele é bom. E essa luta contra Clay Guida confirmou isso - apesar da derrota. Vamos ver se volta a lutar, com o maxilar quebrado...

Jon Fitch x Thiago Alves [2 estrelas]: Eu gosto do Thiago Alves. Pena que ele é ridículo do chão. Sabe se defender de um modo razoável, consegue fugir pra ficar de pé... mas faltou treinar jiu-jitsu! Cadê o MMA? Luta morna, na minha opinião.

Chael Sonnen x Anderson Silva [4,5 estrelas]: Acho que foi a luta que fiquei mais tenso na minha vida. Caramba... o Chael Sonnen tinha tudo pra vencer, com aquela arramação irritante. Foi igual à vitória contra Nate Maquart. Usando o wrestling absurdo que o Sonnen tem, coloca no chão e segura lá, por cima: sem ground n' pound potente, sem chances de nocaute, sem dar chances de o adversário ficar por cima. E se fossem 3 rounds, o resultado de hoje seria igual ao do UFC 109: vitória de Sonnen por decisão unânime. Apesar de todo espectador ter o direito de achar ridículo.

O Steven Seagal estava por lá - tenho certeza que todos já viram o vídeo do Anderson Silva treinando com o mestre de Aikidô. E tenho certeza que todos queriam saber se o Spider iria usar as técnicas cinematográficas do gordinho. Principalmente para quem acompanha o @ufc no twitter e viu que o Seagal estava junto com o Silva nos camarins e depois viu eles entrando juntos e abraçando-se antes do Anderson entrar no ringue. Vale lembrar que o maior lutador de todos os tempos (na minha opinião), Rickson Gracie, disse em seu auge profissional que lutaria contra qualquer um, menos Steven Seagal.

No primeiro round. Anderson Silva arriscou fazer alguma coisa diferente: não estava defendendo os chute de Sonnen, mas, com a guarda baixa, tentava agarra-los. Creio que ele ia tentar fazer alguma coisa. Sonnen, porém, acho que treinou mais movimentos cinematográficos que o brasileiro e acabou dando um cambalhota para fugir!

O resto da luta foi aquele jogo: Sonnen usou o wrestling monstro dele e ficou por cima, no chão, sem fazer p0rr@ nenhuma - ou nada de eficiente pra terminar a luta. Até o último round.

Quando alguns já perdiam a esperança no brasileiro, que deveria perder por pontos (e Sonnen ainda com 50 pontos), Anderson virou o jogo. Numa guarda estranha, sem se defender, apenas segurando o braço direito de Sonnen para baixo, Silva pegou o gringo num belo triângulo. E sabia que era sua única chance.

Sonnen se debateu, conseguiu jogar as pernas para frente para bloquear o Spider, mas sobrou o braço. Fez um movimento que pareceu um tapa de desistência: e o juiz foi para cima, confirmando a vitória do nosso Anderso Silva!!

Bom, como melhor luta da noite, os dois ganharam 60 mil dólares. Pela finazliação, Anderson faturou outros 60 mil dólares - assim como Hughes pelo estrangulamento.

Chael chegou a negar que deu um tapa de desistência.

@danawhite: "That was a tap and a siiiiiick fight!!!!!"

Concordo.


Rafael Cintra

terça-feira, 20 de abril de 2010

O peso das provocações

Por Ciro Barros

Dancinhas e provocações são comuns em diversos esportes. Recentemente, por exemplo, no futebol, o time do Santos vem deitando e rolando e, a cada gol, uma nova dança que quase sempre acaba sendo encarada como um desrespeito pelos adversários. No mundo do MMA, não é diferente, isso também acontece e Anderson Silva é a bola da vez. O lutador brasileiro brincou e tripudiou de Demien Maia no UFC 112, fez caretas em cima do octógono, algo que, aliás, já é comum em suas lutas, e viu Dana White, indignado, declarar publicamente o repúdio às atitudes, sair no quarto assalto e afirmar que teve vergonha de entregar-lhe o cinturão de campeão dos médios, mesmo ao quebrar o recorde da franquia mais popular do planeta.

Essa popularização certamente se relaciona às atitudes do brasileiro. A espetacularização do mundo da luta é só um reflexo de um movimento que vem ocorrendo em quase todos os cantos do esporte e há quem veja nisso uma marca do show biz. Em alguns treinos que fiz, já vi quem aprovasse o show, quem ficasse maravilhado vendo, por exemplo, um Mike Tyson da vida soltar um direto em seu oponente em plena pesagem ou aqueles lutadores que entravam nos ringues vestidos de personagens, como o do filme Pânico. O grande público (principalmente aquele não-praticante das artes marciais) parece aprovar esse tipo de coisa que incita rivalidades, certamente.

Agora entre os lutadores, o papo é outro. Anderson Silva foi atacado de todos os lados. Belfort praticamente implorou em seu twitter uma luta com o “Aranha” e até mesmo a lenda Randy Couture reprovou a atitude do brasileiro, dizendo que aquilo não demonstrava capacidade. É verdade, porém, que Demian Maia também o provocou, mas a reação foi extremamente desproporcional. Não é digno de um campeão tripudiar sobre o derrotado: estamos falando aqui de dois superatletas profissionais que tem, se não o maior, um dos maiores regimes de treinamento do planeta, comparável a soldados. No mínimo deve-se respeito ao oponente. Desvirtuar a luta com artifícios desta natureza suscita a crítica mais comum feita ao MMA enquanto esporte: a de não se tratar de uma disputa técnica entre praticantes de artes marciais, mas antes de uma disputa passional feito como um espetáculo em cima do ringue.

A disciplina é essencial em qualquer arte marcial e ela inclui um processo de libertação do ego. No combate, vencer basta, ou pelo menos deveria bastar. E muito mais do que a vitória, busca-se consolidar o processo que conduziu à vitória. Isso de forma alguma mancha a capacidade de Silva, que quebrou recordes de lutadores como Matt Hughes e Tito Ortiz, mas ofusca a sua imagem como atleta. Quem disse que a postura não influencia no atleta? Por que Michael Jordan é o que é? O próprio Belford rodou o mundo, ficou quase dez anos invicto com o time memorável do Jiu-Jitsu do lendário Carlson Gracie e nem por isso se portava dessa maneira. Chorou quando o velcro da luva pegou no olho de Randy Couture, mesmo campeão mundial.

Está certo que luta é o contato direto com a disputa, mas vencer não pode apagar os princípios da arte marcial. Em nenhuma circunstância.

Confira abaixo trechos da luta entre Anderson Silva x Demian Maia e julgue você mesmo se o Spider Man ultrapassou os limites: